Caminhar entre Silves e Monchique foi uma das formas mais autênticas que encontramos para descobrir o Algarve longe das praias e dos roteiros previsíveis. Ao longo do percurso, deixamos para trás o vale do Arade e avançamos, em direcção à serra, por caminhos rurais, silêncio absoluto e uma paisagem que muda de forma constante. É um Algarve interior, verde e inesperado, que só se revela a quem decide abrandar e seguir a pé.
Caminhar entre Silves e Monchique é atravessar dois Algarves muito diferentes num só percurso. De um lado, a antiga capital do Algarve, marcada pelo rio e pela herança árabe; do outro, a serra verde e húmida que contrasta com tudo o que associamos à região.

Decidimos fazer esta etapa numa tentativa de concluir todas as etapas da Via Algarviana.
Esta seção é das mais difíceis e longas da Via Algarviana devido à distância e à altitude acumulada de 1718 metros.
O que é a Via Algarviana?
A Via Algarviana é um percurso pedestre de grande rota (GR13) que atravessa o interior do Algarve, ligando Alcoutim, no nordeste da região, a Cabo de São Vicente, no extremo sudoeste. Trata-se de um itinerário linear que percorre serras, vales, aldeias rurais e zonas naturais pouco conhecidas, afastadas do litoral turístico.
Com cerca de 300 quilómetros de extensão, a Via Algarviana está dividida em várias etapas sinalizadas, pensadas para serem realizadas a pé, mas também adaptáveis a BTT em alguns troços. O percurso cruza os principais sistemas naturais do Algarve interior, como o Barrocal, a Serra do Caldeirão e a Serra de Monchique, revelando uma grande diversidade paisagística, cultural e ambiental.

Mapa do percurso pedestre realizado
Silves, a porta de entrada do Barrocal
O percurso começa em Silves, cidade histórica dominada pelo castelo de arenito vermelho. É junto ao castelo que começamos a encontrar as primeiras placas que assinalam a Via Algarviana.

À medida que nos afastamos do centro histórico, entram em cena os caminhos agrícolas, entre pomares e pequenas hortas. O terreno é relativamente plano na fase inicial, ideal para ganhar ritmo antes das subidas íngremes que se aproximavam.
Pouco a pouco, o relevo começa a mudar. Os caminhos agrícolas dão lugar a colinas e o cenário torna-se mais verde. É nesta transição que se sente verdadeiramente a aproximação à Serra de Monchique.

Os caminhos de terra batida atravessam zonas menos habitadas, pontuadas por montes isolados. A vegetação torna-se um pouco mais densa, com estevas, eucaliptos, medronheiros e sobreiros.
Se não fossem os diversos incêndios que assolam a Serra Algarvia ao longo dos verões, a vegetação seria ainda mais bela. Quando realizamos a caminhada, sentimos que a serra se encontra, infelizmente, um pouco despida.

A subida final para a Picota
Com Monchique sempre no horizonte, a dificuldade aumenta quando nos aproximamos da barragem de Odelouca, que se localiza mais ou menos a meio do percurso.

Um dos aspetos que mais me marcaram neste percurso foi o silêncio ao longo de tantos quilômetros. O percurso na maioria do dia percorre caminhos, vales e veredas longe de habitações. Durante longos troços, caminhamos sem cruzar ninguém, acompanhados apenas pelo som dos passos e da natureza. Quando surgem aldeias ou pequenos aglomerados rurais, percebe-se uma ligação profunda à terra e a um modo de vida que resiste ao tempo. Questionamo-nos o quanto isoladas vivem algumas destas gentes.
Os últimos quilómetros são os mais exigentes, com subidas mais íngremes e um piso mais irregular. No entanto, também são os mais recompensadores. A paisagem muda de forma clara, surgindo arvoredo mais denso e mais flora típica desta região.


À medida que Monchique se aproxima, o clima torna-se mais fresco e as vistas sobre os vales da serra justificam cada pausa.
O percurso começa agora a ganhar altitude e começamos a ver indicações para a Fonte Santa (não visitamos). É um antigo e muito pequeno complexo termal, com água a brotar da terra a 27ºC.
O ponto alto, a nosso ver, é a subida à Picota. Aqui encontra-se um posto de observação que pretende proteger a serra dos incêndios flamígeros. O percurso passa mesmo pelo ponto mais alto, completamente despido de floresta e com muitas rochas. Aqui é o ponto mais alto deste setor da Via Algarviana.



Quando continuamos o percurso até à vila, voltamos a ficar envolvidos em frondosas e grandes árvores. A chegada à vila é sentida como uma grande conquista.


Monchique
Monchique é uma vila serrana situada no coração da Serra de Monchique e conhecida pelo seu ambiente tranquilo, paisagens verdejantes e clima mais fresco do que o resto da região. É rodeada por montes, vales profundos e linhas de água.
O centro da vila é marcado por ruas íngremes e estreitas, casas tradicionais e um ritmo de vida calmo, fortemente ligado à natureza e às tradições locais. Monchique é também famosa pelas Caldas de Monchique, estância termal histórica, e pela proximidade à Fóia, o ponto mais alto do Algarve, de onde se obtêm vistas amplas sobre a serra e, em dias limpos, até ao litoral.
Dicas práticas para fazer o percurso pedestre entre Silves e Monchique
- Distância: aproximadamente 32 km
- Duração: 8 a 10 horas
- Nível de dificuldade: elevado a muito elevado
- Melhor época: primavera e outono (não escolher os dias muito quentes)
- Equipamento: calçado de trekking, proteção solar, bastões (são opcionais mas ajudam na caminhada)
- Água e alimentação: não existem aldeias com cafés pelo caminho pelo que é essencial levar reservas suficientes


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